Powered By Blogger

São Luís, Patrimônio Cultural da Humanidade
Mostrando postagens com marcador lendas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lendas. Mostrar todas as postagens

Carruagem de Ana Jansen

# Caminhos do Imaginário

Esta lenda corresponde a severa pena que o inconsciente coletivo aplicou à memória de dona Ana Jansen (Donana), poderosa e discutida matrona maranhense, de marcante presença na vida econômica, social e política de São Luís do século XIX. Senhora de grande fortuna pessoal, dizem que maltratava até a desumanidade seus numerosos escravos.

A lenda do pervagar penado de Donana pelas ruas da cidade, às noites de sexta-feira (há uma variante que dá essa sinistra aparição como ocorrendo às quintas-feiras), teve larga difusão da primeira metade deste século, quando eram comuns as ruas mal-iluminadas ou completamente às escuras, pelos constantes cortes de energia elétrica, e também por causa dos desmandos policialescos da ditadura do estado, que traziam medo e maus presságios às noites Ludovicenses.

Reza a tradição que os notívagos da cidade, ao pressentirem a aproximação do horrendo coche, fugiam aterrorizados, à procura de um lugar em que pudessem abrigar-se com segurança. Se assim não fizessem, estariam sujeitos a receber da alma penada de Nhá Jansen, como popularmente chamada, uma vela acesa que amanheceria transformada em osso de defunto.

A carruagem, puxada por cavalos decapitados e tendo na função de cocheiro, um escravo igualmente decapitado e com o corpo sangrando de monstruosas sevícias, produz, horripilantes sons, combinação do atrito de velhas e gastas ferragens com o copo de lamentações de escravos em estertor.

A lenda da carruagem de Ana Jansen, pavor, principalmente, dos meninos São-Luisenses de outrora, deu às belas noites enluaradas da cidade a contraface tétrica de negros em agonia e cavalos pavorosos que, ao toque de seus cascos no calçamento das ruas, arrancavam faíscas de fogo, nesse longo e aterrorizante suplicio de dona Ana Jansen.

Por isso se estiver no Centro-Histórico à noite, em uma quinta ou sexta (por via das dúvidas), olhe para o relógio e se estiver prestes a dar meia-noite (00h), e ouvir sons de cavalos, procure um lugar para se esconder, pois a carruagem de Donana vai aparecer.



Referências
MORAES, Jomar – 1940. Guia de São Luís do Maranhão / Jomar Moraes. – 2.ed. São Luís: Legenda, 1995. 306 p., Il.
Fotos

@CamindeCantaria